
Nesta
minha caminhada pela vida,
saio a noite pelas ruas, e, tropeçando
em pés descalços, vou
levando um pouco
de alento num cobertor singelo, para
aquecer o frio
da noite que castiga o corpo que dorme
no duro chão da calçada,
em colchão de papelão...
Da
fome, tapeada com um gole de água
ardente,
levo o leite quente, em garrafinha
plástica,
deixada ao lado do corpo inerte, no
sono cansado,
junto com um pãozinho com margarina,
para quando
o torpor do corpo dorido despertar
para mais um dia
de catador de papel ou algum outro
reciclável...
Tropeço
em pequeninos pés descalços,
de crianças
desgarradas de uma família,
que, já nem sabem se têm,
e,
dormem ainda, mesmo sol brilhando
no céu, pois a cola aspirada
ainda deixa seu efeito, num corpinho
magro, de roupas rotas,
e dormem, talvez sonhando um sonho
melhor, do que este
de estar a dormir, nas calçadas
da cidade...
Tropeço
nos meus próprios pés,
pois sei que meus cobertores
singelos, não cobrirão
a todos os que são desprovidos
de um lar.
Tropeço nas pedras deste caminho,
pois sei que o leite e o pãozinho
que entrego com carinho, não
alimentará todos aqueles
que têm na fome a companheira
diária...
Tropeço...
nesta minha fragilidade,
nesta minha impotência, nesta
minha fraqueza,
de fazer tão pouco, para o
tanto que
precisa ser mudado...
Tropeço...mas,
não desisto de tentar,
mesmo nesta minha insignificância,
não mais tropeçar, em
pés descalços,e,
erguer com Fé
a bandeira do Amor,
do Respeito e da Solidariedade!...
Thais
"beijaflor"
São José dos Campos/SP
(voluntária, em pról
dos irmãos menos favorecidos)
Este
texto está fazendo parte da
Ciranda "Tropeço"
no site de Paulo Nunes Júnior
www.paulonunesjunior.com.br
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